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Mari sugere corte olímpico após escolha por Bernardinho em vez de Zé Roberto



Mari revelou bastidores da não convocação para Londres-2012 e contou que se sentiu pressionada por Zé Roberto a atuar pelo Fenerbahçe, clube então comandado por ele, ao invés de seguir no Rio de Janeiro, de Bernardinho



Mari acredita que ficou fora de Londres-2012 por ter recusado trabalhar com Zé Roberto no clube. Com isso, ela escolheu seguir com Bernardinho no Rexona (Foto: Alexandre Arruda/CBV)
Mari acredita que ficou fora de Londres-2012 por ter se recusado a trabalhar com Zé Roberto no clube. Ela escolheu seguir com Bernardinho no Rexona (Foto: Alexandre Arruda/CBV)

A campeã olímpica Marianne Steinbrecher, conhecida como Mari, sugeriu pela primeira vez publicamente que o motivo de seu corte da seleção brasileira para os Jogos Olímpicos de Londres-2012 não foi uma decisão técnica, mas de cunho pessoal e profissional fora das quadras. Em entrevista ao Basticast, a ex-atleta contou que recusou convite do treinador Zé Roberto Guimarães para atuar no Fenerbahçe, clube turco que seria comandado por ele na temporada anterior à Olimpíada. Segundo ela, a decisão de seguir no Rexona, sendo dirigida por Bernardinho, influenciou na sua ausência da convocação final.

“Ele falou: ‘Quero que você vá para o Fenerbahçe porque quero te treinar, porque ano que vem já é Olimpíada’”, contou Mari, que se viu dividida porque Bernardinho havia pedido para ela ficar no Rexona, então Rio de Janeiro, e por questões pessoais também. “Tinha coisas que eu não queria deixar no Brasil, e eu achava justo ficar mais um ano no Rio. Eu também estaria sendo treinada pelo Bernardo, então achei que estava tudo certo”, completou a ex-jogadora. Mari se recuperava de uma ruptura do ligamento cruzado do joelho direito, que aconteceu em 2010, ano que ela havia acabado de assinar com Rexona.

Impasse entre dois técnicos com rivalidade histórica

Na época do acontecido, Mari se recuperava de uma lesão no joelho e atuava no Rexona, time dirigido por Bernardinho, no Brasil. Após jogar apenas a semifinal e a final da Superliga, o técnico sugeriu que ela permanecesse mais um ano no clube para uma temporada completa, como forma de compensar o investimento e retomar o ritmo ideal de jogo. Simultaneamente, Zé Roberto, técnico do Brasil, assumiria o Fenerbahçe e fez um convite direto para que ela integrasse o elenco turco, deixando claro, de acordo com a atleta, que a decisão influenciaria diretamente na sua participação nos Jogos de Londres.

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Mari afirmou que Zé Roberto não recebeu bem a decisão dela e relatou um episódio marcante em que sentiu ter sido ameaçada. Segundo ela, o treinador a ligou enquanto ela estava de moto na Croácia e, após ouvir sua decisão de permanecer no Brasil, respondeu: “Ah, se você vai ter as tuas preferências, na seleção eu vou ter as minhas também”. Mari conta que estava com uma amiga durante a ligação de Zé Roberto e que a frase teve tom de ameaça. “Senti um tom muito de ameaça. Foi muito ruim ouvir aquilo. Ou ele estava blefando para me pressionar ou realmente ia fazer alguma coisa”.

Mudança de posição e silêncio

Segundo o relato de Mari, a relação ficou fria e distante na seleção brasileira após a opção dela de seguir no clube com Bernardinho. Uma das situações que incomodou foi que sua posição em quadra foi alterada de forma inesperada. “Quando chegou na seleção, ele não falava comigo. Cheguei lá e ele me mandou ir atacar na saída [de rede]. Aí falaram: ‘Ué, o que você está fazendo aqui?’ E eu disse: ‘Zé mandou’. Ou seja, ele já me trocou de posição. Já foi meio que uma sacanagem. Ele poderia ter feito isso, mas não daquela forma”, relatou Mari.

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Mari havia sido campeã olímpica em Pequim-2008 como titular e não foi incluída na lista final de convocadas para Londres-2012, onde o Brasil conquistou o bicampeonato. Na temporada seguinte aos Jogos Olímpicos da capital inglesa, em 2012/13, a jogador saiu do Rexona e partiu para o Fenerbahçe. A curiosidade é que ela chegou ao clube turco exatamente após a saída de Zé Roberto, que regressou ao Brasil para dar início ao projeto do Campinas, na época chamado de Vôlei Amil. Já Mari ficou apenas um ano na Europa e, em 2013/14, voltou ao país para jogar no Praia Clube, de Uberlândia.

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